Monday, December 03, 2018

Quanto tempo dura o verdadeiro amor?






Quanto tempo dura o verdadeiro amor?

1 ano? 10 anos? 50 anos? Observando vocês, pai e mãe, aprendemos que o amor de verdade tem a duração de um dia. Ele desperta quando a gente acorda e repousa quando vamos dormir. É assim, para que ele possa nascer de novo – renovado – no dia seguinte. E depois no outro. E novamente no outro.

Amar é um exercício diário, que exige esforço, comprometimento, compreensão. E perdão. Amar não significa pensar igual em tudo. Sonhar sempre os mesmos sonhos. Querer as mesmas coisas. Mas é querer estar junto ainda assim, porque o jeito do seu amor pensar faz você pensar melhor. A empolgação do seu amor quando realiza um sonho também empolga você.

Quando a gente ama, a gente faz bem um ao outro. E a satisfação de fazer isso leva a gente a renunciar de bom grado a uma série de coisas. Porque a alegria, o bem-estar, a realização do nosso amor é mais importante.

Mas é claro que isso não é simples. Por isso, são cada vez mais raros os relacionamentos que resistem tanto tempo. Não basta que uma das pessoas pense dessa maneira: as duas precisam amar da mesma forma. Senão, o amor não sobrevive ao dia seguinte.


Nesses 50 anos, foram aproximadamente 18.262 dias. Nem todos foram de sol, afinal, nem tudo na vida são flores. Mas os invernos sempre foram mais curtos do que as primaveras.

O carinho, o respeito, o cuidado, a cumplicidade, todos esses jeitos diferentes e complementares de amar é que fizeram o amor de vocês resistir e se renovar.

E a história de vocês, que começou numa troca de olhares e uma troca de palavras, sem saber que um dia chegariam à troca de alianças, hoje é uma inspiração para todos nós.




Aprendemos a amar vendo como vocês se amam. E seguimos pelo mesmo caminho. Obrigado! Esses 50 anos de casados valem mais do que ouro.

Afinal, 50 anos são mais do que uma vida. São várias. A sua história, suas dores e alegrias são de todos nós.

Que Deus abençoe vocês, para que essa história continue assim: cheia de amor e de vida por muitos e muitos dias.




Friday, September 14, 2018

Preciso te falar

Oi. Eu só queria te falar o que você já sabe, até porque já te disse tantas vezes, que nem sei a conta. Dizer o que venho sentindo nesses últimos 25 anos, quase. Aquilo que comecei a perceber, pouco depois que você me disse, daí fechou aquele portão e saiu correndo pra dentro de casa. E que eu não tive coragem de te dizer naquela hora porque ainda não tinha certeza, mas que hoje tenho e tenho medo de não te ouvir dizendo mais.

Então, digo de novo agora, mesmo sem precisar falar as palavras que você já sabe quais são. E digo que quero te dizer isso de novo amanhã e depois e depois e infinitos depois. Enquanto eu tiver voz e coração, torcendo desesperadamente pra você não enjoar de mim.

Porque se eu não disser, mesmo com você sabendo do que eu estou falando, vou ficar aqui me lamentando por não ter dito. Mas se eu disser (como já estou dizendo), estarei sentindo (como já estou sentindo), que estou mais perto de você. Aí do seu lado. Falando no seu ouvido mais uma vez:

Eu te amo.


Sunday, July 29, 2018

Seja homem de verdade.



Seja homem de verdade.


Não digo isso só pra você, que tem um canal no YouTube e acha que ali pode falar o que quiser. Você que se vangloria de uma tentativa de estupro contra uma moça que estava dormindo e, depois que surgem as críticas, diz que foi só uma invenção, que isso nunca aconteceu de verdade.

Você que se desculpa dizendo que foi só uma brincadeira, como se fosse engraçado brincar com isso, quando 16 mulheres por hora são vítimas de violência doméstica em Minas Gerais.  Ah, você não sabia? Sim, 16 MULHERES POR HORA sofrem violência doméstica só em Minas. Doeria menos se elas estivessem dormindo?

E você não apenas se desculpa afirmando que foi só brincadeira, mas ainda joga na lama todos os homens, ao dizer que “homem sempre aumenta as coisas”. Parabéns! E já que você teve essa coragem, sejamos sinceros: homem é assim mesmo, né? A gente exagera, a gente mente, a gente ofende, a gente “brinca” e, quando ninguém vê, a gente briga, a gente bate e a gente mata.

Somos todos “parças”, afinal. É por isso que esse texto não é só pra você, que tem um canal no YouTube. É também pra você, que curte esses vídeos, dá risada e compartilha. Pra você que acha que exageradas são as mulheres, afinal, “não aconteceu nada”.  E, óbvio, é pra você que levanta a sua mão contra elas, antes que elas levantem a voz contra você. E se mesmo assim elas levantam, é porque têm muita coragem.

Mas entre todos os homens, dos violentos aos cretinos, dos babacas aos bobalhões, dos injustos aos ignorantes, esse texto vai especialmente para aqueles que não insultam, não agridem, não ferem e não exploram a mulher. Líderes que não discriminam o talento feminino em suas equipes. Pais que não fogem das responsabilidades com os filhos. Maridos que dividem as tarefas da casa. Namorados que respeitam as namoradas (mesmo que elas estejam dormindo). Homens que entendem que agir assim não é um favor, mas uma obrigação.

É nesse grupo que estão os homens de verdade. E ao que tudo indica, infelizmente, esses ainda são muito poucos. Por duas razões.

Primeiro, porque as estatísticas de crimes contra a mulher estão aí e não nos deixam mentir. Nem de brincadeira!  Basta uma pesquisa rápida no Google, ou assistir qualquer jornal e as notícias estão lá: todos os dias, vemos novos casos de assédio, estupro, preconceito e violência doméstica. Como defender os homens, se isso repete? E o pior, se os próprios homens se “desculpam” dizendo que foi só brincadeira e generalizando suas atitudes?

Segundo, é que mesmo aqueles que não fazem nada disso também estão errados, se eles não fazem nada CONTRA isso. Afinal, não basta criticar a conduta dos outros e reclamar da generalização, sentindo-se ofendidos por não agir como eles.

No final das contas, ser um bom marido, um bom pai, um bom chefe, um bom namorado ou um bom amigo não faz de ninguém um homem de verdade. Porque o importante aí não é ser “um bom macho”, mas um bom ser humano. Essa é a verdade. E a nossa humanidade repousa em nossa empatia.

Por isso, precisamos entender que a luta das mulheres não é só das mulheres. É nossa também. Quando mais homens perceberem isso, denunciarem os abusos e se posicionarem firmemente e concretamente ao lado delas, aí sim as estatísticas vão diminuir e as notícias vão melhorar. Até lá, não adiantam só desculpas.


Tuesday, July 17, 2018

De coração para coração.


Desculpe, minha filha, se eu não sei te acolher.
Se no meu abraço, parece faltar espaço pra você.

Desculpe, meu amor, se eu não sei te escutar.
Se calo sua voz, te afasto de nós, sem te ouvir falar.

Desculpe, minha querida, se eu não sei como agir.
Se não compreendo que, se não te entendo, te faço fugir.

Desculpe, minha menina, se eu não sei te esperar.
Se a cada cobrança, a sua confiança eu faço desmoronar.

Saiba que os meus braços sempre estão abertos pra você.
E o seu espaço dentro desse abraço, nunca vai perder.

Quero te ouvir, mesmo no silêncio que você fizer.
E se quiser falar, sempre vou te amar, diga o que disser.

Posso não saber o que acontece aí dentro da sua cabeça.
Mas sei bem como é o seu coração, então não se esqueça.

Você é uma pessoa realmente especial, pode acreditar.
Basta ser você, sem medo de ser, que a vida vai mostrar.

Friday, January 12, 2018

Minha pequena linda adolescente.

Dizem que a adolescência é um período difícil. É sim. Por isso fica mais fácil a gente se afastar. Senão briga, xinga, reclama, machuca. E quanto mais isso acontece, mais a gente se afasta. E quanto mais a gente se afasta, mais fica difícil voltar. 

Mas como ficar longe de quem a gente quer perto? Como deixar pra lá quem queremos aqui, no calor do nosso abraço? Naquele espaço apertado que antes aquecia, mas que agora parece queimar?

Entendo a necessidade, minha pequena linda adolescente, de você se afastar. Respeito a sua vontade de fazer suas escolhas, tomar suas decisões, seguir seus caminhos. Já fui adolescente também. Só que hoje sou pai e quero o melhor pra você, filha. Por isso, deixo que as suas escolhas sejam suas. Mas só até o ponto em que elas não te façam acreditar que a sua presença é desnecessária.

Porque mesmo quando estamos longe, estamos junto com você. Sempre. E tem aquelas horas em que queremos estar juntos literalmente. Todos. Sem deixar ninguém pra trás. Então, me desculpe se você quiser ficar e a gente insistir em te levar. Vamos insistir mesmo. Mais e mais e mais. Afinal, a sua companhia é importante demais, desejada demais, valiosa demais.

Ademais, a própria vida se encarregará de preencher os seus dias e as suas noites, até chegar uma hora em que você vai sentir falta de cada minuto ao lado da sua família. É assim que a gente se sente hoje. Por isso queremos compartilhar com você, em todas as oportunidades que tivermos, todas as delícias, todos os perfumes, todas as paisagens, todos os mergulhos, todos os sorrisos e todas as surpresas que a vida nos oferece.

Então, quando a gente te chamar, filha, escute por favor. Desligue o computador e o celular um pouquinho. E se liga que a vida só é um presente, quando quem a gente ama está presente.


Thursday, January 04, 2018

Carta aos meus pais

Mãe, pai... é um presente ter vocês aqui. Mais do que isso, é uma bênção. Quero dizer isso assim, com todas as letras, pra vocês ouvirem e guardarem pra sempre no seu coração. É que a gente sofre muito por tudo aquilo que não disse. Que não fez. Que não amou. E eu amo muito vocês pra ficar calado, pra não te abraçar e te beijar o tanto que vocês merecem.

Tenho visto vários dos meus amigos se despedirem dos seus pais e a cada vez que isso acontece, minha garganta aperta mais. Porque sei que o tempo passa para todos nós e é justamente a falta dele que tem mais me incomodado. Se Deus deu me deu a graça de ter vocês aqui, não posso deixar isso passar. É como ter no bolso um bilhete premiado que a gente não vai descontar. Então eu quero sacar esse bilhete e aproveitar cada centavo desse tesouro que a vida está me dando.

Quero começar me desculpando porque, quando cresci, acreditei que era auto suficiente. E só depois percebi que não. Sei que dou conta de cuidar de muita coisa sozinho. Mas não consigo pensar em vocês sozinhos, esperando a visita que não vem, o telefone que não toca, o feriado que não chega. Perdoem essa minha ausência que o trabalho e o cansaço provocam.  

Agora que também sou pai e tenho minhas crianças para cuidar, percebo o vazio que deixei na sua casa, porque já imagino que um dia será assim comigo também. É a vida. Mas é a gente que escolhe como vivê-la, não? Por isso, eu quero aproveitar cada instante que eu tiver ao seu lado.

Minha promessa de ano novo é essa. Estar mais perto. Abraçar mais. Beijar mais. Pegar mais no seu pé pra que vocês precisem de menos remédios. Pra que acalmem a sua cabeça e o seu espírito. Pra que redescubram a alegria de passear, de viajar, de ir ao cinema. E, sempre que eu puder, eu irei junto com vocês.

Afinal, não tenho como agradecer e retribuir a tudo que vocês já me ensinaram e me deram. Mas posso dizer que é uma felicidade ter a sua companhia. Uma bênção, como eu já disse e quero repetir. E as bênçãos - vocês também me ensinaram isso – a gente tem mais é que agradecer e fazer por merecê-las, porque elas são especiais. Realmente especiais.

Amo vocês!



Monday, September 25, 2017

Inesquecível

Lembro do dia, há mais de 20 anos, em que conheci uma garota bronzeada, vestindo biquíni branco, sentada à beira da piscina. Lembro de ter criado coragem e me aproximado dela pra puxar conversa. Lembro que o papo engatou e continuou, depois do clube, quando caminhamos juntos até o ponto de ônibus onde nos despedimos. Lembro da vontade que senti de beijá-la naquele momento. Recordo também do número do telefone que ela me passou naquele dia. E de ter ligado e combinado de tomarmos sorvete algumas vezes depois da missa, no domingo à noite. Lembro de nos encontrarmos na faculdade nos intervalos. E ali, encostado na mureta de um corredor, próximo dos jardins, lembro do nosso primeiro beijo. Aquele beijo que ela diz que praticamente me roubou, sem perceber que estava roubando muito mais do que isso.

Lembro da gente ter se afastado, porque os sentimentos vieram depressa demais. Lembro de ter me arrependido por ter deixado uma pessoa tão especial ir embora. Lembro do dia em que nos reencontramos no clube e, mais tarde, fui atrás dela na saída da igreja, mesmo sem ter marcado nada. Lembro que nos beijamos no carro, depois do sorvete, e combinamos de sair para dançar. E lembro, claro, da nossa dança no seu baile de formatura, quando começamos nosso namoro.

Lembro da primeira vez que ela me disse “Eu te amo”, fechando a grade do prédio com vergonha e me prendendo do lado de fora. Lembro da primeira vez que eu disse “Eu te amo”, olhando pra ela no seu shortinho jeans e aquela camisa listrada de branco e vermelho. Lembro do abraço forte e do beijo quente que vieram depois disso.

Lembro da força que ela me deu, alguns meses depois, quando perdi meu irmão. E do dia em ela propôs que a gente terminasse, porque teria que se mudar e não poderia estar ao meu lado. Lembro que insisti para continuarmos juntos, mesmo que distantes. E não esqueço da saudade que sentia, a cada despedida na rodoviária.

Lembro da alegria que senti quando o telefone tocou e ela me disse que estava voltando. Dos passeios, das viagens, dos cinemas, das festas e de tudo que fizemos depois. Lembro que foram 4 anos que me fizeram sonhar e apaixonar muito mais. E lembro do dia em que marcamos um almoço com os nossos pais e o nosso namoro se transformou em noivado.

Lembro de ter ido ao cartório em Lagoa Santa, para combinar nosso casamento civil lá no sítio. E recordo, como se fosse hoje, de vê-la com aquele vestido branco, tão linda. Minha linda. Lembro que os amigos não me deixaram muito tempo para admirá-la. Lembro de me embebedarem, vestirem de noiva e desfilarem comigo de caminhonete pela cidade, filmando tudo numa fita esquecida num canto qualquer lá de casa. Pouco lembro desse mico, ainda bem.

Mas lembro bem de falarmos dos preparativos para o casamento religioso. Da escolha da igreja, do convite, da festa, da decoração, da viagem de lua de mel. Lembro de tudo isso e, de todas essas coisas, o que eu mais gosto de lembrar é de vê-la caminhando, vestida de noiva, em minha direção. De recebê-la no altar, segurar em suas mãos e, nos seus olhos, sentir a mesma certeza de que fomos feitos um para o outro.

Há 18 anos que eu me lembro especialmente dessa cena. Porque entre tantas lembranças que vieram antes e depois, toda vez que o nosso olhar se reencontra, eu continuo sentindo a mesma coisa. E eu sei, pelo jeito dela me olhar, que ela também se sente assim.



Monday, June 12, 2017

Talvez


Talvez o que me encante seja esse jeito como você me olha.
E talvez o seu encanto seja pelos defeitos que prefere não ver.

Talvez o que me empolgue seja essa força que você me passa.
E talvez a sua empolgação seja pelas fraquezas que deixa passar.

Talvez o que me apaixone seja o sabor com que você me beija.
E talvez a sua paixão seja pelos dissabores que ignora da minha boca.

Talvez o que me aqueça seja esse fogo que você me inflama.
E talvez a sua chama seja pelas lembranças você mantém acesas.

Talvez o que me seduza seja saber que você é minha.
E talvez a sua sedução seja por você se esquecer que também sou seu.

Tuesday, February 07, 2017

Silêncio.

O piano me chama e eu resisto. Por quê? Porque me intimidam as teclas. São degraus que eu receio não  ter forças pra subir. Mas ao mesmo tempo, lá debaixo, olho pra cima e fico me imaginando no alto. Quando escrevo, sonho que minhas mãos passeiam pelas teclas brancas e pretas, fazendo música com a mesma facilidade com que eu componho as palavras aqui, neste teclado de letras sem sons. Quem sabe um dia eu vença esse medo? Medo de não ser bom. Medo que não me permite ser nada e que me mantém aqui, inerte e calado, sonhando com a música que pulsa no meu coração.

Saturday, October 29, 2016

Vencer o apesar


Nenhuma vitória é alcançada sem que se vença primeiro o "apesar". Porque sempre haverá motivos e forças, internos e externos, jogando contra. Sempre!

Pare um pouco para pensar e tente se lembrar de alguma conquista em qualquer área e em qualquer lugar que tenha se realizado sem esforço e autoconfiança. Simplesmente não existe. E se um dia existir, será uma conquista sem mérito. O mérito vem justamente da superação.

Apesar de não ter tempo a gente vence, abrindo mão de compromissos e alongando o dia madrugada adentro.

Apesar de desconfiar do juiz a gente vence, acreditando que podemos e jogando limpo e bonito pra vitória ser incontestável.

Apesar da falta de apoio a gente vence, somando forças com os poucos que, juntos, podem fazer muito.

Apesar de toda insegurança a gente vence, confiando no próprio talento para ganhar coragem e brilhar no palco.

Apesar de um insucesso a gente vence, usando a experiência para aprender e alimentar a chama da vitória.

Apesar de dizerem que não a gente vence, teimando que sim e buscando alcançar aquilo que os outros não ousaram.

Apesar da razão nos frear a gente vence, sentindo o coração acelerar pela crença inabalável de que é possível.


Afinal, apesar de todos os apesares, a pesar os prós e os contras, quando a gente quer alguma coisa de verdade, é possível sim. 

E é só assim que a gente vence.

Friday, October 21, 2016

O abraço que não é só um abraço

Há um ano, quando a minha filha mais nova completava os seus onze, eu fiz um textão pra ela. Nesse texto (que você pode ler aqui) eu falava o quanto a gente sente, quando percebe que os nossos baixinhos logo, logo serão grandinhos. E de tudo o que me faria falta, o que mais me deixaria com saudades seria aquele abraço gostoso que ela me dava, sempre que eu abria a porta de casa.

Eu publiquei o texto no meu blog, muita gente viu e se emocionou, mas depois eu caí na real que, pra ela mesmo, eu não tinha mostrado. E aí, enquanto a gente comemorava num restaurante, eu passei o celular pra ela lá do outro lado da mesa. Fiquei de longe observando sua reação. E assim que acabou de ler, ela olhou pra mim com os seus olhinhos cheios d´água. Minha filha deu a volta e veio me dar um abraço. Aquele abraço.

Ficamos nós dois um tempão assim, abraçados, sem nem lembrar que tinha gente perto. Os dois chorando. E o mais legal aconteceu depois: no dia seguinte. E no outro, no outro, no outro, até hoje.

Esse abraço deixou de ser só um abraço. Daí em diante ela sabia o que isso significava pra mim. E queria me lembrar que ela sentia a mesma coisa. Por isso, quando eu chegava em casa, minha mocinha me via e avisava para eu me preparar. Ela voltava lá no quarto e vinha correndo até a sala, pronta pra me derrubar. Se preciso, até esperava eu largar as bolsas e as sacolas de lado.

Aquele abraço - esse que eu continuo recebendo todo dia - é um presente que ela me dá. Um jeito dela me dizer que nunca vai me abandonar, não importa o quanto ela cresça. Por isso eu resolvi fazer esse texto, exatamente um ano depois.


Porque eu também quero dizer para você, filha, nos seus 12 anos, que estarei sempre de braços abertos para você. Para comemorar suas conquistas. Para amenizar suas dores. Para aliviar suas dúvidas. Para te esquentar do frio. Não importa. Venha me abraçar sempre que quiser, Mari, pra gente estar de novo juntos, desse jeito tão especial e tão nosso. Nesse abraço que envolve até o coração.

Saturday, December 05, 2015

Dentro de mim uma voz fala.

Dentro de mim uma voz fala.
Mas o mundo não me deixa escutá-la.
Ela insiste.
Eu despisto.
Ela insiste.
Eu resisto.
Ela grita.
Eu conflito.

Dentro de mim uma voz fala.
Mas o medo não me deixa escutá-la.
Ela insiste.
Eu despisto.
Ela insiste.
Eu resisto.
Ela briga.
Eu abrigo.

Dentro de mim uma voz cala.
Mas o menino não me deixa silenciá-la.
Ele insiste.
Eu despisto.
Ele insiste.
Eu resisto.
Ele insiste.
Eu desisto.

Dentro de mim, uma voz canta.

Wednesday, October 21, 2015

Minha baixinha

Minha filha pequena está ficando grande. Hoje, Mariana completa 11 anos. Mas eu ainda vejo nessa mocinha o encantamento lindo da infância. Olho pra ela, cada vez mais ligada em videogames e menos interessada nas bonecas, e ainda reconheço a criança exuberante que existe no seu coraçãozinho. E aí, o meu é que vai ficando pequeno. Porque daqui a pouco, ela não vai mais pedir “papai, deita um pouquinho comigo”, quando chegar a hora de dormir. Não vai mais me receber com aquele abraço gostoso quando eu volto pra casa. Não vai mais me chamar para brincar, porque isso pra ela será “coisa de criança”. E então eu ficarei ali, lembrando de tudo que estou lembrando agora e pensando em todas as vezes em que eu só fui deitar com ela depois que ela já estava dormindo. Pensando nos dias em que eu cheguei cansado e, antes de receber o seu abraço, dei uma bronca porque ela deixou a casa bagunçada. Nos momentos em que eu estava trabalhando e não pude parar e brincar, como ela tanto pedia. Mas vou tentar deixar isso de lado e lembrar também que, muitas outras vezes, eu me enfiei debaixo das cobertas e cobri minha baixinha de cócegas. Recordarei as noites em que o seu carinho foi mais rápido que a minha rabugice, e que o seu abraço derrubou o meu cansaço e levantou a minha disposição. E também os dias em que resolvi chutar o balde e, sim, permiti que a minha filha me fizesse voltar a ser criança. São esses os momentos que eu quero guardar. Porque se a gente não pode guardar a infância dos filhos para sempre, pelo menos eu posso preservar esses instantes maravilhosos que a gente viveu nesses 11 anos juntos. E eles estão bem guardadinhos, minha filha, junto com você, no meu coração. Que Deus te abençoe para você crescer com saúde, sempre espalhando alegria. Não importa o quanto você cresça, você será sempre minha baixinha.

Sunday, September 13, 2015

"Não é sua culpa, é seu trabalho"

Há mais de 30 dias que não tenho nenhum de descanso. Não estou reclamando, sei que foi uma escolha minha conjugar duas profissões. E se gosto das duas, do contrário já teria abandonado uma delas, não posso mesmo reclamar.

Mas também não posso fingir que tem sido fácil. Porque não tem. E o mais difícil não é nem o excesso de trabalho que essa dupla jornada me traz, é não poder dar um tempo para aquilo que existe de mais importante na minha vida: minha família.

Perdi a conta de quantas vezes minha filha caçula me chamou pra jogar videogame com ela. Quantas vezes ela me perguntou se eu ainda tinha muita coisa pra fazer. Se tinha que trabalhar no fim de semana.

Perdi a conta também das várias promessas que tive que quebrar com ela, me sentindo um péssimo pai, por não ter conseguido terminar as tarefas que eu tinha pra fazer no tempo que eu havia planejado.

Pois ela mesmo, que já me disse várias vezes que eu estava trabalhando muito, percebeu o meu conflito e me deu a "bênção" pra eu continuar fazendo o que preciso. Quando abracei minha baixinha e pedi desculpas por não poder brincar com ela, minha filha olhou pra mim e disse: não é sua culpa, papai. É seu trabalho.


Acho que o amor que a gente sente e transmite consegue ultrapassar até mesmo essas barreiras que enfrentamos. Ela sabe que o meu trabalho é importante e entende que isso não tira a importância que ela tem para mim. Assim, mesmo não tendo muito tempo pra gente brincar, basta um olhar e um abraço mais apertado para que eu me reencontre com ela. E comigo mesmo também.

Monday, August 03, 2015

Até mais

Há 10 anos, entrei numa sala de aula pela primeira vez como professor. Lembro-me de ter ido lá sozinho na semana anterior só para conhecer e imaginar-me naquele ambiente que, em tão pouco tempo, tornou-se tão familiar. Um espaço de experiências e de espantos.  De aprendizado e (re) descobertas. De pensar e repensar. De um fazer que me fazia renascer todos os dias.

São tantas as pessoas a quem eu gostaria de agradecer por terem me levado até aquela sala de aula naquele dia. Os professores que me tornaram professor. Os alunos que me mantiveram sempre aluno. Os colegas com quem ampliei as minhas aulas e o meu conhecimento. E sobretudo à escola que abriu para mim essas portas e de quem eu hoje me despeço.

Não preciso dizer os nomes de ninguém, porque vocês já sabem. São de vocês as lembranças que eu trago comigo. E também as amizades que eu levarei adiante, como um presente precioso por todos os momentos incríveis que eu vivi nessa última década.


Muito obrigado. Espero que possamos nos reencontrar um dia, em tantas outras salas de aula por aí.

Saturday, August 01, 2015

Aproximação

Qual vai ser a próxima palavra?
A próxima dúvida?
A próxima curva?
A próxima vírgula?
O próximo ponto?
A próxima pausa?
A próxima lausa?
O próximo lapso?
O próximo último?
O último próximo?
O próximo próximo?
O último último?
O último qual?
Qual será?
O que será?
Quem será?
Serei eu?

Wednesday, July 29, 2015

Levanta!



Levanta!

Não deixe a poeira se acumular de novo.

Você ficou muito tempo adormecido e, quando despertou, se assustou.

O susto foi porque você não viu que era de você mesmo, do seu próprio talento, que você estava se esquivando.

Nada contra se esquivar, às vezes é preciso pra gente se proteger. Mas faça como um pugilista que se esquiva para golpear logo em seguida.

Porque se você não golpeia, se não parte pra briga, você vai ficando acuado. Apanhando. Tentando ganhar por pontos no final e correndo o risco de ser derrubado no próximo round.

E a queda virá. Não se engane: mais cedo ou mais tarde, você receberá um golpe mais forte que vai te fazer dobrar os joelhos.

Então, não se ajoelhe por conta própria.

Não se acovarde. Você é mais forte do que pensa.

Você ainda tem muitas lutas pela frente e, ainda que não consiga vencer todas, uma coisa você já conquistou: respeito.

Portanto, suba no ringue alerta, mas sem medo. Porque ninguém pode levar seus sonhos a nocaute.

A não ser que você mesmo jogue a toalha.

Saturday, July 18, 2015

When I´m gone

When I´m gone,

I want you to close your eyes
And sing this song

I want you to find your strengh.
´Cause you are strong.

I want you to realize
You´re not alone.

I´ll wait for you in your heart,
where I belong

My love
Goes on, and on, and on, and on, and on...

And everytime you miss my kiss
Need my hug to heal your pain
Just remember to sing this
So I´ll be back with you again


Thursday, July 16, 2015

Pequenas doses de poesia

Mais um dia? Menos um dia? Mais dia, menos dia, a gente descobre que dia é hoje.

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Basta um instante para a gente querer voltar ao que era antes

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Por onde a gente passa, fica
E aquilo que a gente leva, deixa
E aqueles que a gente encontra, perde
E aqueles que a gente perde, leva

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A vida passa depressa depressa depressa depressa depressed

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Pensei um pouco. Senti muito.
Pensei muito. Senti pouco.
Pensei sentir.
Senti pensar.


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Amor. Use sem moderação.

Friday, July 10, 2015

Super-brother


Uma melodia me trouxe de volta meu irmão. Naqueles tempos em que brincávamos juntos na varanda lá de casa. Quando ele se vestia de Super-homem e pulava do murinho num grande vôo de meio metro de altura. De repente, meu irmão foi voar mais alto. Longe da gente, sem nunca sair do nosso coração. Nosso anjo particular deixou tanta saudade! Tantas boas lembranças. E hoje já se foi mais tempo do que o tempo que o tivemos aqui. Como alguém tão importante marcou tanto a nossa vida e esteve com a gente tão pouco? Será que já estivemos juntos antes e esse foi só mais um encontro? Será que nos veremos novamente? Não consigo acreditar que a vida se acaba assim, inacabada. Não consigo, nem quero. Espero que a gente volte a se encontrar. Algum dia, em algum outro lugar. Ao som de outras melodias.